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Bangkok in one day itinerary

Há cidades que não se revelam logo. Bangkok é uma delas. À primeira vista é barulho, calor, movimento constante, mas se lhe deres um dia inteiro, ela começa a falar contigo, primeiro em sussurros, depois em excesso.

A primeira vez que estive em Bangkok foi em 2025 e nem sei bem como definir as minhas expectativas. Sou uma pessoa mais de praia do que cidade e a capital da Tailândia intimidava-me. As imagens dos grandes arranha céus, do movimento frenético de pessoas e carros, a nuvem de poluição que muitas vezes coloca a cidade nos títulos das notícias.

Mas o que encontrei foi uma Bangkok fascinante, curiosa e atrativa, que me deixou cheia de vontade de voltar porque, de longe, vi tudo o que ela tem para oferecer.

Sei que existem roteiros que incluem mil e um pontos de interesse, sim, porque Bangkok os tem. Mas este itinerário é aquele que fiz, aquele que, apesar de ser muito específico, foi o que me fez ficar conquistada pela cidade.

Se vai ser a tua primeira viagem a Bangkok e não sabes por onde começar, aqui fica o roteiro de um dia para seguires.

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Manhã: O despertar de Bangkok

Começa cedo, porque Bangkok madruga e porque as primeiras horas do dia ainda trazem uma versão mais suave da cidade.

Provavelmente já ouviste falar de Khao San Road, uma rua que ganhou fama por reunir viajantes de todo o mundo e pelas suas noites loucas de música e festa. Essas continuam a existir (se tiveres oportunidade, vai também durante a noite), mas antes das 9 da manhã, ela não tem nada a ver com a imagem caótica que corre a internet.

O chão ainda está a ser lavado, as bancas de comida montam-se devagar, há cheiro a detergente misturado com alho a fritar, e o som dominante não é música alta, mas o de vassouras e conversas em tailandês.

Caminha sem pressa, entra nas ruas laterais, onde há pequenos cafés, lojas de bairro, e gente a caminho dos seus afazeres diários. É aqui que Bangkok começa a parecer habitável.

A poucos minutos dali (15 minutos a pé a partir de Khao San Road), escondido da rota mais clássica, entra no Wat Ratchabophit. Para o achares mais facilmente, usa o Google Maps. O templo fica ao longo da Fueang Nakhon Road. Se perguntares aos locais ou procurares placas enquanto caminhas, segue as indicações que te levam para longe das ruas barulhentas e para caminhos mais tranquilos.

Aqui o choque é imediato. O trânsito fica do lado de fora e, lá dentro, há silêncio, fresco, e um detalhe quase europeu na arquitetura que te vai obrigar a abrandar.

Senti o contraste na pele, do calor húmido da rua para a sombra do templo, e no ouvido, do caos para o som distante de passos e sinos. Este não é um templo monumental, mas é um lugar de pausa, daqueles que não aparecem nos “10 imperdíveis de Bangkok” e, por isso mesmo, vai ficar mais tempo na tua memória.

A próxima paragem é o Grand Palace. Aqui Bangkok quer impressionar. O dourado reflete o sol de forma quase agressiva, o calor sobe do chão, e há um zumbido constante de vozes, guias, passos. A confusão por vezes é muita, mas ainda assim, vale a pena. Há detalhes que só se veem de perto, mosaicos minúsculos, murais que contam histórias, guardiões que parecem vigiar tudo. O truque é não ter pressa e aceitar que este é um lugar para absorver mais do que para fotografar.

Lembra-te de que é necessário seguir um código de vestuário modesto, o que significa que deves cobrir os ombros e os joelhos. Para evitar filas longas, é boa ideia comprar os bilhetes com antecedência.

Tarde: entre água e flores

Depois de horas a caminhar e com a roupa a colar, o corpo pede água (em todos os sentidos) e mudança de ritmo. Por isso, troca o asfalto pelo rio. O Chao Phraya não é apenas um cenário bonito, é uma artéria viva da cidade, por isso, vai conhecê-lo de barco.

A vibração do motor sente-se sob os pés, o vento alivia o calor, e a cidade passa como um filme: templos, prédios modernos, casas de madeira à beira da água. É neste movimento que Bangkok começa a fazer sentido, uma cidade que cresce em camadas, sem apagar a história que a fez.

Templo Wat Arun visto do outro lado do rio Chao Phraya durante o dia.

Desce perto do Pak Khlong Talat, o mercado das flores. Jasmim, rosas, folhas verdes frescas. Há montes de flores empilhadas, mãos rápidas a fazer grinaldas, e um ritmo quase hipnótico ao som das tesouras e das conversas. Mesmo a meio da tarde, quando o mercado não está no seu pico de atividade, sente-se que este é um lugar funcional, não turístico, e isso traz uma beleza própria.

Ao passear pelas bancas, pára para cheirar uma grinalda de jasmim e deixa que as notas florais te transportem para o coração da tradição de Bangkok. Tenta a tua sorte na arte da negociação, mesmo que seja apenas por um pequeno ramo de flores, para experimentar a animada troca que define a essência do mercado. Fica ali um pouco mais de tempo, porque vais sentir o corpo a abrandar.

Não vamos cair na ilusão. Visitar Bangkok num único dia é cansativo. Ponto. Por isso, faz uma pausa estratégica. Um café com ar condicionado, uma água fresca, alguns minutos sem estímulos visuais ou olfativos. Em Bangkok, saber parar é tão importante quanto saber andar.

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Noite: à luz de Bangkok

Ao final da tarde, sobe ao Mahanakhon, numa altura em que a luz começa a ficar dourada. O elevador dispara para cima e apenas dás conta da altura e velocidade a que estás a ir ao ver os números a aumentar no painel eletrónico à tua frente. De repente… Bangkok está aos meus pés.

Lá de cima, o barulho desaparece. Vês avenidas com o infindável movimento dos carros, telhados infinitos repletos de rooftops e piscinas, e o rio a serpentear.

Confesso que senti um ligeiro frio no estômago ao pisar o vidro do SkyWalk. Habituada a alguns miradouros com chão transparente, como são aqueles que visito na Ilha da Madeira, este põe definitivamente à prova até quem não sofre de vertigens.

Ao mesmo tempo, existe uma calma estranha, apenas interrompida pela música que sai das colunas e o conversar de quem escolheu aquele lugar para ver um pôr do sol único. Aqui, a 314 metros de altura, no mais alto arranha céus de Bangkok, a cidade deixa de ser confusão e passa a ser inspiração.

Ao final da tarde, sobe ao Mahanakhon, numa altura em que a luz começa a ficar dourada. O elevador dispara para cima e apenas dás conta da altura e velocidade a que estás a ir ao ver os números a aumentar no painel eletrónico à tua frente. De repente… Bangkok está aos meus pés.

Lá de cima, o barulho desaparece. Vês avenidas com o infindável movimento dos carros, telhados infinitos repletos de rooftops e piscinas, e o rio a serpentear.

Confesso que senti um ligeiro frio no estômago ao pisar o vidro do SkyWalk. Habituada a alguns miradouros com chão transparente, como são aqueles que visito na Madeira, este põe definitivamente à prova até quem não sofre de vertigens.

Ao mesmo tempo, existe uma calma estranha, apenas interrompida pela música que sai das colunas e o conversar de quem escolheu aquele lugar para ver um pôr do sol único. Aqui, a 314 metros de altura, no mais alto arranha céus de Bangkok, a cidade deixa de ser confusão e passa a ser inspiração.

Quando desceres, já é noite. Por isso, segue para a Chinatown. Aqui não há transição suave. Há luzes de néon (muitas!), fumo, vozes, metal a bater, woks a trabalhar sem descanso. O cheiro é intenso, a gordura quente, especiarias, caldo a ferver. Não escolhes um restaurante, mais sim uma banca, depois outra, depois mais uma.

Chinatown é animada e geralmente segura, mas é aconselhável permanecer nas ruas principais e ficar atento aos teus pertences para garantir uma experiência tranquila. Para uma experiência mais imersiva, tenta usar um pouco de tailandês ao fazer o teu pedido. Uma frase simples, como “ao nii” (“vou levar isto”), pode melhorar a tua interação com os vendedores e aprofundar a tua ligação cultural nesta viagem.Prova noodles, como o pad thai, algo grelhado, como o chicken satay, algo doce no fim, como o famoso mango sticky rice. O chão está pegajoso, as mesas são partilhadas, e tudo funciona mesmo assim. A Tailândia é conhecida pela street food e aqui vais encontrá-la em grande oferta. Uma food tour é a melhor opção para experimentar todos os sabores que a cidade oferece.

É aqui, no meio deste teste aos sentidos, que proponho que termines o dia. Depois de veres templos, visitares mercados, subires a rooftops e andares por ruas caóticas, vais perceber que Bangkok é, sem dúvida, uma cidade que não pede permissão para existir… tal como é.

Surf em Bangkok?…

Sim, também há! Ou quase… Bangkok não tem mar, mas dá para matar saudades de uma prancha no Flow House Bangkok, com uma máquina de ondas. Se preferires, há também wake parks na cidade, como o Zanook Wake Park.

Notas de Viagem

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Marlene é a criadora do Marlene On The Move. Jornalista de profissão, criou o blog para partilhar as suas aventuras pelo Mundo. Não é raro partir à descoberta de novos países e culturas com a prancha de surf como bagagem.

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