Ayutthaya, Tailândia

Ayutthaya, Tailândia: a capital esquecida que sobreviveu ao tempo

Last Updated on 29/06/2026 by Marlene Marques

Ayutthaya foi uma das maiores cidades do mundo. No século XVII, tinha mais de um milhão de habitantes. Lisboa rondava os 100 mil. Recebia mercadores de Portugal, da China, da Holanda e da Índia. Era o centro do mundo, ou quase.

Em 1767, os Birmaneses entraram e destruíram quase tudo.

Fui a Ayutthaya no âmbito do meu trabalho como líder de viagens na Leva-me. Estava a trabalhar, sim, mas aqui fica o que me ficou na memória.

O que é Ayutthaya

Ayutthaya foi a segunda capital do reino do Sião, fundada por volta de 1350. É Património Mundial da UNESCO desde 1991. O parque arqueológico ocupa 289 hectares e tem dezenas de templos em ruínas, mosteiros budistas e estruturas que, durante séculos, foram sinónimo de poder e riqueza.

O que é surpreendente — e que só percebes quando lá chegas — é o espaço. Não é um sítio onde te empurram com outros turistas num corredor. As ruínas estão espalhadas e há um silêncio entre elas que não é abandono. É outra coisa.

Como chegar apartir Bangkok

A opção mais comum é o carro ou a minivan, saindo de vários pontos em Bangkok. A viagem demora cerca de 1h30 a 2h, dependendo do trânsito. Há também o comboio, mais lento, mas com um charme diferente, que sai da estação de Hua Lamphong.

Se fores numa visita organizada, o transporte costuma estar incluído. Se fores por conta própria, vale a pena alugar o carro ou reservar o comboio com antecedência, principalmente se viajares ao fim de semana.

O parque arqueológico de Ayutthaya: o que ver

Wat Phra Mahathat: O Buda na árvore

Cabeça de Buda entrelaçada nas raízes de uma figueira sagrada no Wat Phra Mahathat, em Ayutthaya, Tailândia

Há uma imagem de Ayutthaya que circula em todos os guias de viagem, em todas as pesquisas na internet, em todas as listas de “coisas para ver na Tailândia”: uma cabeça de Buda envolta nas raízes de uma árvore, de cara serena, olhos fechados, aparentemente em paz.

Fica no Wat Phra Mahathat e quando a vês ao vivo, a primeira reação é tentar perceber como chegou ali.

A resposta curta: ninguém sabe ao certo. O Wat Phra Mahathat foi construído no século XIV e destruído durante a invasão birmanesa de 1767. Nessa altura, as estátuas de Buda foram decapitadas, num ato deliberado de profanação. A cabeça terá então ficado no chão e, com o tempo, a figueira que crescia perto foi enrolando as suas raízes à volta dela, até a envolver por completo.

Mas há quem defenda outra teoria: que um ladrão a escondeu ali com intenção de a roubar mais tarde, mas nunca voltou. E a árvore tratou do resto.

O que vi aqui foi uma fila discreta de pessoas à volta da imagem, câmeras na mão, e um guarda a controlar que tudo corresse com o respeito que o sítio merece. Aqui há regras e elas são levadas a sério: não podes erguer o teu rosto acima do nível do Buda quando estás a fotografar, ou virar-lhe as costas. Podes sentar-te ou ajoelhar-te no chão. Mas, acima de tudo, respeitar o silêncio… ou quase.

É um dos sítios mais fotografados de toda a Tailândia. E ainda assim, não é uma armadilha turística. É genuíno.

Wat Phra Si Sanphet: A joia da coroa

Os três icónicos chedis em forma de sino do Wat Phra Si Sanphet, templo real do Reino de Ayutthaya, na Tailândia.

O Wat Phra Si Sanphet era o templo real de Ayutthaya, equivalente em importância ao Wat Phra Kaew em Bangkok, que, aliás, foi construído a seguir como tentativa de replicar a sua grandeza. As três chedi que definem o horizonte do parque guardam as cinzas de três reis do Reino de Ayutthaya.

É o tipo de sítio onde percebes a dimensão do que foi destruído. As torres estão intactas na forma, mas o que as rodeava, desde os palácios até as passagens e os detalhes em ouro, desapareceu em 1767, quando os birmaneses derreteram o ouro para fundição.

Wat Ratchaburana

Construído no século XV, o Wat Ratchaburana tem uma história de família que não te deixa indiferente: foi erguido pelo sétimo rei de Ayutthaya em memória dos dois irmãos mais velhos que morreram num combate pela sucessão ao trono.

As cinzas de ambos estão numa chedi dupla. É um dos templos mais bem preservados do parque e um dos que vale a pena não saltar.

Wat Chaiwatthanaram: À beira do rio

Ruínas de Wat Chaiwatthanaram, com a sua característica parede de tijolo vermelho e os seus imponentes prangs, Parque Histórico de Ayutthaya, Tailândia.

É o mais fotogénico do conjunto, especialmente ao entardecer. De inspiração Khmer (pensado à semelhança de Angkor Wat no Camboja), fica na margem do rio Chao Phraya, fora do núcleo central do parque. Se o tempo permitir, vale a pena fazer o desvio.

O que me surpreendeu: a ausência de multidões

Ayutthaya é Património Mundial da UNESCO. Tens três chedi icónicas, o Buda mais famoso da Tailândia, dezenas de templos a perder de vista. Por tudo isto, devia estar a abarrotar.

Não estava.

Havia pessoas, claro, mas espaço para andar, para parar, para olhar sem ter de empurrar ninguém. Num mundo em que qualquer sítio com um QR code e uma hashtag transforma a visita numa fila de três horas, Ayutthaya foi uma surpresa.

Se calhar tive sorte, mas parte da explicação pode estar no formato: as ruínas estão dispersas num espaço enorme. Mas parte também pode ser por Ayutthaya continuar a ser tratada como paragem, em vez de destino. A maioria das pessoas vai de dia, a partir de Bangkok, e volta ao final da tarde, o que é o suficiente para perceber o essencial, mas deixa sempre alguma coisa por ver.

Vale a pena ir a Ayutthaya com um guia?

Sem dúvida! E não digo isto por dever de ofício.

Andar pelas ruínas de Ayutthaya sem contexto é ver pedras muito antigas muito bem postas. Com um guia conhecemos a história do reino, o significado dos diferentes tipos de torres, o que aconteceu em 1767, o que cada templo representava politicamente… enfim, é uma visita completamente diferente.

Um guia local ou uma visita organizada muda completamente a experiência.


E o surf?

Ayutthaya não é destino de surf. Fica a 80 km de Bangkok, no interior, rodeada de rios. Se estás em viagem pela Tailândia e queres juntar surf à equação, os destinos mais próximos ficam já no sul: Koh Lanta tem condições modestas para iniciantes entre outubro e abril, e Phuket tem alguns spots mais consistentes na costa oeste durante o mesmo período. Contudo, tem em conta que é raro haver surf consistente na Tailândia.


Notas de viagem

Duração ideal: Visita de dia completo (6-8 horas). Podes ver o essencial em meio dia, mas com mais tempo consegues ver os templos com calma e eventualmente apanhar o Wat Chaiwatthanaram ao entardecer.

Como chegar de Bangkok: Carro ou minivan (~1h30, partindo de vários pontos da cidade) ou comboio (~2h, mais lento mas menos complicado). Há também tours de um dia que incluem transporte, uma ótima opção se não queres preocupar-te com a logística. Podes pesquisar opções no GetYourGuide.

Onde ficar: Se ficares uma noite, a zona ribeirinha no centro de Ayutthaya tem boas opções perto do parque. Pesquisa no Booking.com aquela que mais te agrada.

Horário: Os horários variam consoante o templo. A maioria abre por volta das 8h-8h30 e fecha entre as 16h30 e as 18h. Vale a pena confirmar antes de ir, especialmente se planeias visitar ao final do dia.

O que vestir: Roupa que cubra ombros e joelhos. É obrigatório nos templos, não sugestão. Dado o calor, um lenço leve funciona melhor do que calças pesadas.

Calor: A temporada de chuvas (junho a outubro) é mais quente e húmida. Leva água, usa protetor solar, e começa cedo, já que o calor do meio-dia já aperta.

Internet: A Tailândia tem boa cobertura de dados na maioria dos sítios turísticos. Se precisas de um cartão eSIM para a viagem, o Holafly tem planos para a Tailândia com dados ilimitados e ainda tens 5% de desconto.

Seguro de viagem: Nunca viajes para a Tailândia sem seguro. A saúde privada no país pode ser boa, mas cara para quem não está coberto. O Heymondo é a opção que uso e recomendo e ainda te oferece 5% de desconto.

Dica final: O Wat Phra Mahathat fica mais tranquilo a meio da manhã, quando os grupos de tours já partiram para outros templos. Se estás a fazer a visita por conta própria, guarda-o para esse momento.

Já visitaste Ayutthaya? Conta-me como foi nos comentários.

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