Last Updated on 12/05/2026 by Marlene Marques
O Tejo sempre fez parte da minha vida. É o rio de Lisboa, que deságua no Atlântico depois de atravessar metade da Península Ibérica. Nunca tinha ido ao sítio onde entra em Portugal, até um dia em que tracei uma rota pelo interior.
Cheguei ao Parque Natural do Tejo Internacional pela “porta” de Castelo Branco. A estrada era quase só minha.
O parque estende-se pelos concelhos de Castelo Branco, Idanha-a-Nova e Vila Velha de Ródão, numa faixa de cerca de 40 km ao longo do rio, onde o Tejo serve de fronteira natural com Espanha. São mais de 26 mil hectares de sobreiros, azinheiras, montado aberto e vales escavados, e um dos territórios naturais mais intactos do país. Fui rápida nessa primeira visita. Coisa que não voltaria a fazer.
Parque Natural do Tejo Internacional: O que torna este parque diferente
O Parque Natural do Tejo Internacional não é o tipo de destino que impressiona à primeira. Não tem o dramatismo da Serra da Estrela nem a visibilidade do Gerês. A paisagem é discreta: colinas suaves cobertas de montado, o rio que serpenteia sem pressa, aldeias de xisto onde o tempo passou mas não apagou tudo.
O que o torna especial é a biodiversidade. O parque foi criado em 2000 precisamente porque é um dos principais locais de nidificação de aves, incluindo espécies maioritariamente protegidas por convenções internacionais, como a cegonha-preta. Desde então, integra também a Reserva da Biosfera Transfronteiriça, reconhecida pela UNESCO e partilhada com o Parque Natural del Tajo Internacional, do lado espanhol.
Cá dentro vivem espécies que estão em vias de extinção noutros cantos do continente. A vegetação inclui bosques de sobreiros e azinheiras e galerias de salgueiros ao longo dos rios, e é possível observar a águia-de-bonelli, a águia-real, o abutre-fouveiro e o abutre-do-egito. A águia-imperial ibérica é exclusiva da Península Ibérica e está classificada como “Vulnerável” desde 2021.
Se nunca pensaste em birdwatching como motivo de viagem, este pode ser o sítio onde isso muda.

O que visitar no Parque Natural do Tejo Internacional
Malpica do Tejo
Foi aqui que entrei no parque. Malpica do Tejo é a maior freguesia do concelho de Castelo Branco e é também o ponto onde o Tejo entra em Portugal.
Vale a pena ir até à Ermida de Nossa Senhora das Neves… ou o que resta dela. Foi destruída nos conflitos pela independência do território face a Espanha, e hoje o que ficou conta a história melhor do que qualquer painel interpretativo. Perto daqui podes percorrer parte dos antigos caminhos de sirga, usados para puxar embarcações pelo rio. A maioria ficou submersa depois da construção da barragem de Cedillo, mas alguns troços mantêm-se acessíveis.
Há também as Fontes Nova e Velha, a Igreja de S. Domingos, a Capela de S. Bento, o forno de cal do Monte dos Cancelos e sepulturas medievais escavadas na rocha. É o tipo de aldeia onde cada pedaço de parede tem uma data.
Portas de Ródão
Classificadas como Monumento Natural, as Portas de Ródão constituem um lugar único pelos seus valores geológicos, paisagísticos, arqueológicos, históricos e biológicos. O Tejo corta aqui as cristas quartzíticas, criando um corredor natural que, desde sempre, atraiu aves de grande porte. É um dos melhores pontos do parque para observar abutres.
Rota dos Abutres
O percurso mais bem sinalizado do parque, com 10,5 km, desce desde Salvaterra do Extremo — a cerca de 60 km a leste de Castelo Branco — até ao canhão dramático do rio Erges. Sempre junto ao rio, podes observar antigas azenhas e o leito apertado do Erges. É o percurso certo para quem vai pela primeira vez e quer perceber o que torna este parque especial.
Um aviso: as visitas ao Parque Natural do Tejo Internacional devem ser acompanhadas por alguém que conheça a zona, uma vez que os percursos não estão marcados nem são evidentes. Consulta a Rota do Tejo Internacional antes de partir, ou programa uma visita guiada.
Ruínas dos Alares
Menos conhecidas, mas uma das paragens mais recompensadoras do parque para quem vai com tempo. O caminho até às ruínas é o melhor cartão de visita desta área protegida, com possibilidade de avistar alguns dos seus habitantes mais silvestres, e as ruínas são o local ideal para um piquenique abrigado do vento. No mesmo percurso fica o observatório de aves integrado no GR 29, Rota dos Veados. Chegar lá requer orientação ou o acompanhamento de alguém que conheça o terreno.
Ponte sobre o Ponsul
Entre Castelo Branco e Malpica, o Ponsul é um dos afluentes do Tejo que atravessas pelo caminho. A ponte sobre o rio é um desses sítios onde parar sem motivo específico e perceber porque é que a viagem vale a pena. O vale ali é verde, o som da água ouve-se antes de se ver o rio.
Centro de Interpretação Ambiental
Se é a primeira vez que vais ao parque, começa aqui. O Centro de Interpretação Ambiental fica em Castelo Branco, na Rua da Bela Vista, tem entrada gratuita e está aberto nos dias úteis entre as 9h e as 17h30. Catorze equipamentos interativos que ajudam a perceber o que vais ver lá fora e a reconhecer o que, de outra forma, passaria despercebido.
Birdwatching no Tejo Internacional
Este é, provavelmente, o maior argumento do parque. Existem dois observatórios de aves: um nos Alares, no percurso GR 29, e outro em Salvaterra do Extremo, no percurso PR1. Entre as espécies que podes encontrar estão a cegonha-preta (tímida, requer paciência), o abutre-fouveiro, o abutre-do-egito, a águia-imperial ibérica, a águia-de-bonelli, a águia-real e a calhandra-real.
A primavera é a estação ideal para visitar o parque: as aves nidificantes estão mais ativas e a vegetação desperta com cores e cheiros que, no verão, já desapareceram: os rosmaninhos, as aroeiras, as giestas-brancas. No verão, as temperaturas podem facilmente ultrapassar os 40°C, o que torna qualquer percurso pedestre um esforço considerável.
Notas de Viagem
Duração ideal: mínimo um dia completo; dois dias para incluir um percurso pedestre sem pressão.
Melhor época: primavera (março a junho) para birdwatching e flora; outono para paisagem e temperaturas amenas. Verão é muito quente e o inverno pode ter geadas frequentes.
Como chegar: De carro, a partir de Castelo Branco, a cidade-base mais prática. De Lisboa, são cerca de 2h40 pela A23. Não há transporte público regular até à maioria dos pontos do parque, por isso carro próprio ou alugado é quase obrigatório.
Onde ficar: Castelo Branco é a opção com mais variedade.
Entrada: gratuita.
Antes de sair: confirma percursos e condições na sede do ICNF em Castelo Branco ou no site do parque.
O que levar: calçado de trail, proteção solar, água em quantidade (os pontos de abastecimento são escassos dentro do parque), binóculos se fores pelas aves.
Dica final: vai devagar. É o tipo de paisagem que não revela tudo de uma vez.
Já visitaste o Parque Natural do Tejo Internacional? Conta-me nos comentários o que não perdes quando lá vais.
Kit de Viagem
Estas são as minhas ferramentas preferidas para tornar as minhas viagens mais completas aos melhores preços. Aproveita algumas das vantagens de ser um dos meus leitores.
Ao utilizar estes links, estás também a contribuir para a manutenção deste blogue e, por isso, agradeço-te imenso!
Heymondo
Reserva o teu seguro de viagem com 5% de desconto.
Holafly
Compra o teu eSIM ilimitado com 5% de desconto.
Booking.com
As melhores estadias pelo mundo aos melhores preços.
GetYourGuide
Diverte-te com os melhores tours que cada destino oferece.
Skyscanner
Descobre o melhor voo ao melhor preço para a tua próxima viagem.
Hostelworld
Desfruta dos melhores hostels espalhados pelo mundo.
DiscoverCars
Reserva um carro ao melhor preço e vai explorar.
Compensair
Não deixes que um voo cancelado te estrague a viagem.

