Last Updated on 07/05/2026 by Marlene Marques
“Vais surfar na Sardenha? Mas há ondas no Mediterrâneo?” Nem sei quantas vezes ouvi isto quando comentei com amigos e conhecidos que ia levar pranchas na minha viagem à Sardenha.
Sim, existem ondas no Mediterrâneo e elas podem até atingir um tamanho razoável. O período em que as ondas atingem condições em que podem ser surfadas é, contudo, bastante menor do que aqueles a que possivelmente estamos habituados.
Na Sardenha é normal que a ondulação dure um a dois dias e depois volte a acalmar e deixe os surfistas locais sedentos pelo próximo swell.
Mas, afinal, como é que há ondas no Mediterrâneo?
As ondas na superfície do oceano são normalmente formadas pelo vento. Quando o vento sopra, transfere a energia através de fricção. Quanto mais rápido o vento, mais tempo ele sopra, ou quanto mais longe ele pode soprar sem interrupção, maiores são as ondas. Portanto, o tamanho de uma onda depende da velocidade do vento, da duração do vento e da área sobre a qual o vento está a soprar. Esta variabilidade leva a ondas de todas as formas e tamanhos.
Ocean – Smithsonian Institute
Assim, o Mediterrâneo, apesar de ser um mar “interno”, não deixa de ter vento e até tempestades, o que, dependendo da sua intensidade, gera ondas.
Porque o mar mediterrâneo não é tão extenso como os restantes, como o Atlântico, por exemplo, o vento não ganha a velocidade ou percorre a extensão necessária para formar ondas muito grandes ou durante muito tempo.

As melhores praias para surfar na Sardenha
Dito isto, as melhores ondas da Sardenha vão depender do lado em que se formam as baixas pressões e a direção do vento, sendo que a aposta mais segura é o lado oeste da ilha.
Para saber onde se dirigir, aqui ficam as ondas e respetivas praias mais conhecidas da Sardenha para surfar.
Silver Rock
Silver Rock fica no noroeste da ilha, perto da aldeia de Argentiera, a norte de Porto Ferro. É um dos últimos breaks da costa oeste antes de o litoral dobrar para o norte, tornando-se mais abrigado. Não é o spot mais consistente da Sardenha, mas, quando o Mistral sopra de noroeste e o swell tem força suficiente, entrega ondas sólidas, com muito pouca gente na água. A dificuldade de acesso afasta a maioria. Vale a pena checar numa road trip pela costa noroeste, especialmente se Porto Ferro estiver a mexer ou com demasiada confusão no lineup.
Porto Ferro
Porto Ferro fica a cerca de 18 km a noroeste de Alghero e é onde a maioria dos surfistas da zona começa. A praia expõe-se a oeste, recebe bem o swell e tem fundo de areia, o que a torna acessível a quem está a aprender ou a progredir. As esquerdas e as direitas são suficientemente consistentes na maioria dos dias entre o outono e a primavera. Há uma escola de surf no local, com aluguer de pranchas. Ao remar para fora, as ondas ganham força e as correntes ficam mais fortes. Se estiver a aprender, deve ficar perto da costa. A paisagem, com torres de vigia medievais, uma floresta de pinheiros atrás das dunas, e água turquesa, faz desta uma das sessões mais bonitas da ilha.
La Speranza
A cerca de 8 km a sul de Alghero, La Speranza é um point break de direita que recompensa quem tem paciência. É imprevisível — funciona menos vezes do que Porto Ferro — mas quando as condições encaixam com o swell de oeste e o vento forte de noroeste, as ondas quebram rápidas e ocas sobre um fundo de rocha raso. É um spot para surfistas experientes: o take-off é exigente, o fundo é afiado e há ouriços na secção interior. A entrada faz-se pelo canal no lado sul da baía. Nos dias em que funciona, é comum teres o lugar todo para ti, o que, para uma onda desta qualidade, diz mais sobre a sua consistência do que sobre o seu carácter.
S’Archittu
S’Archittu é um dos 28 Monumentos Naturais da Sardenha, e o arco de rocha que enquadra a baía justifica a visita mesmo sem prancha. O surf é um point break de direita que começa a funcionar a partir de cerca de um metro e, nos bons dias, dá algumas das sessões mais longas da costa oeste. É suficientemente abrigado para manter a forma com vento moderado e, por exigir um tamanho mínimo para funcionar, está muitas vezes vazio quando isso acontece. O inverno é a altura certa: a paisagem é dramática, o swell chega com as tempestades e o lineup mantém-se deserto. Fundo rochoso; por isso, o uso de botas e experiência são recomendados.
Sa Mesa Longa
Sa Mesa Longa é um reef break encaixado na zona da lagoa perto da Península de Sinis, no corredor do Capo Mannu. Não é mencionado com tanta frequência como os vizinhos, mas tem o seu próprio carácter. O ambiente da lagoa é distinto, e o recife forma paredes consistentes quando o swell está a entrar. Aguenta swells maiores do que os de alguns dos spots mais rasos da zona, tornando-o uma alternativa útil quando as condições noutros spots estão demasiado fortes. Não é uma onda para iniciantes, uma vez que o fundo é rochoso e a remada para fora requer experiência. Vale a pena checar logo de manhã, antes do Mistral entrar.
Capo Mannu
O Capo Mannu é amplamente considerado o melhor spot de surf do Mediterrâneo, e está à altura da reputação. Fica a cerca de 30 km a noroeste de Oristano, na Península de Sinis, exposto a oeste ao Mistral e a todos os swells que o Atlântico e o Mediterrâneo conseguem gerar. O pico principal é predominantemente uma direita sobre fundo rochoso, surfável até quatro metros. O Mini Capo, ligeiramente mais para dentro, oferece esquerdas e direitas com um pouco mais de margem. Não é um spot para iniciantes, pois as correntes são fortes, a entrada e saída são técnicas e o recife não perdoa. Para surfistas experientes, é uma sessão que não se esquece. Está sempre cheio porque toda a gente sabe que existe. Por isso, chega cedo.
Piscinas
Piscinas fica na Costa Verde, ladeada pelas maiores dunas de areia da Europa e com praticamente nenhum desenvolvimento humano à vista. Este beach break produz diferentes tipos de onda consoante o swell e, nos dias maiores, há uma direita tubular no extremo sul da praia que justifica a deslocação. É o tipo de lugar que nunca fica cheio, em parte pelo tamanho, em parte pela distância a tudo. Quando o Capo Mannu está a funcionar, mas demasiado grande, Piscinas oferece muitas vezes uma versão mais acessível do mesmo swell. Vem com comida, água e sem pressa.
Buggerru
Buggerru é território de antigas minas, com falésias, enseadas e uma história esculpida na rocha. Também é um dos spots de surf mais consistentes da ilha. O pico principal é uma esquerda longa que corre junto à marina, funcionando com swells de oeste e noroeste e aguentando mesmo com vento onshore moderado. Mas Buggerru não é uma onda só: há vários picos espalhados pela baía, desde ondas de espuma para iniciantes até secções ocas sobre recife para surfistas experientes. Tem uma das escolas de surf com mais história da Sardenha, já recebeu competições internacionais e raramente fica demasiado cheio. Se tiveres poucos dias na ilha e não souberes onde montar base, Buggerru é a resposta.

Como chegar à Sardenha com pranchas de surf
A Sardenha não é propriamente um destino de surf por excelência na Europa, por isso não estranhe ser a única pessoa no aeroporto a carregar uma prancha de surf, principalmente se viajar em época baixa.
Fora isso, os cuidados são sempre os mesmos: embalar bem as pranchas e alugar um carro com capacidade para as transportar.
Na ilha existem dois aeroportos principais: Cagliari (a sul) e Alghero (a norte).
O aeroporto de Cagliari é o maior e recebe mais voos, incluindo os que vêm de Itália continental. Se vem de longe é bem possível que tenha que fazer escala noutra cidade italiana, antes de chegar à Sardenha.
Por outro lado, se vem de outros países europeus e quer viajar mais barato, a Ryanair trabalha com voos diretos para Alghero. Pelo menos foi assim que cheguei vinda de Portugal.
Últimas dicas!
Opte por pranchas mais pequenas e “gordas” porque, por norma, as ondas por aqui não são tão grandes ou desafiantes como noutros destinos. E lembre-se de levar todas as dicas de sítios a visitar, não vá ter azar e não apanhar nenhuma boa ondulação durante a sua visita.
Caso vá mesmo com o único intuito de fazer surf naquela ilha, acompanhe as previsões para a região e opte por ficar mais tempo do que apenas uma semana. As chances são maiores.
Como em todas as viagens que têm surf à mistura e porque ainda viajamos numa altura em que o Covid-19 espreita, não deixe de fazer um seguro de viagem. Opte pelo da Heymondo e por ser leitor do Marlene On The Move tem 5% de desconto na sua apólice.

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