Last Updated on 06/05/2026 by Marlene Marques
Já há algum tempo que não escrevia uma review sobre um livro aqui no blog, mas foi porque andava numa busca incessante por uma obra que me captasse a atenção e me deixasse agarrada a ela até à última página. Três livros começados depois, aconteceu com o “Disse-me um adivinho” de Tiziano Terzani.
A sugestão foi dada pelo escritor português Paulo Moura num workshop de escrita de viagens que fiz este ano e aproveitei a última Feira do Livro de Lisboa para o trazer para casa. Tiziano tornou-se assim, nos últimos meses, o meu companheiro de viagem na praia, ou antes de dormir, levando-me consigo numa viagem curiosa por alguns países do Extremo Oriente.
“Disse-me um adivinho”… quem é Tiziano Terzani?
É com vergonha que reconheço que não conhecia Tiziano Terzani antes deste livro. Digo-o com vergonha porque, sendo eu jornalista, deveria saber o nome de um dos mais reconhecidos jornalistas e escritores do mundo.
Terzani nasceu em 1938 em Florença, Itália, e teve uma carreira rica e diversificada como correspondente estrangeiro, cobrindo várias partes do mundo ao longo de várias décadas.
Trabalhou como jornalista em diferentes países da Ásia, incluindo a Índia, China, Japão e Vietname. Durante o seu tempo nesse continente, testemunhou acontecimentos importantes, como a guerra do Vietname e a Revolução Cultural na China. Experiências que o influenciaram profundamente e tiveram um impacto significativo no seu estilo de escrita e leitura sobre a vida e o mundo.
O autor italiano ficou famoso pela sua abordagem única ao jornalismo. Em vez de se limitar a relatar os factos, Terzani frequentemente incluía as suas reflexões pessoais e espirituais nas reportagens e livros que escrevia. Nestes mostrava o lado mais humanista e a sua paixão por explorar culturas e tradições locais.
Eis que surge o adivinho
É aqui que aparece o “Disse-me um adivinho”, uma das suas obras mais emblemáticas. O livro é o relato de Terzani de um ano a viajar pela Ásia por terra, sem o recurso a aviões. Esta forma de viajar, que o autor considera que lhe trouxe de volta a verdadeira essência das viagens, resultou de um encontro com um adivinho em Hong Kong que lhe disse que durante o ano de 1993 não podia andar de avião sob o risco de morrer.
“Assim que decidimos passar sem os aviões, apercebemo-nos logo de como eles nos impõem a sua limitada perceção da existência; e de como, sendo um cómodo meio para encurtar distâncias, acabam por encurtar tudo, até a compreensão do mundo.”
Tiziano Terzani
Esta previsão fatídica do futuro acompanha Terzani durante muitos anos até que, nas vésperas de 1993, toma a decisão de seguir o conselho do adivinho e evitar a deslocação pelo ar. Ora, como deve imaginar, para um jornalista que tem de estar onde e quando a notícia acontece, o desafio é enorme. Mas Terzani decide aceitá-lo e não só regressa à forma terrestre de deslocação — por carro, comboio e/ou barco —, com se propõe a descobrir a velha arte da adivinhação que tão fortes raízes tem na Ásia.
Durante o ano, o autor regressa a nações que lhe são familiares, como o Laos, a antiga Birmânia, o Camboja ou o Vietname, entre outras, relatando o que mudou nos últimos tempos e a presença cada vez maior da China nos seus países vizinhos. Visita igualmente vários magos e adivinhos, conhecendo tradições locais e como essas adivinhações chegaram (e chegam) a influenciar governantes e populações.
(Re)Ler um clássico da literatura de viagens

Tiziano Terzani tem o dom da palavra e, para mim, uma escrita com a qual podemos facilmente nos relacionar. Sem ser demasiado descritivo, mas relatando de uma forma pessoal ambientes, pessoas e situações, Terzani leva-nos numa viagem incrível.
O livro, com 597 páginas, lê-se bastante bem e deixa a vontade de conhecer mais textos e obras deste autor. Na edição portuguesa, integra a coleção de literatura de viagens da editora Tinta da China, cujas obras são publicadas em edições de capa dura. Que eu simplesmente adoro e é tão raro encontrar nos dias de hoje.
Sem dúvida um livro para ler e, quem sabe, reler no futuro.
“A profecia era a desculpa. A verdade é que uma pessoa, aos 55 anos, tem um desejo enorme de acrescentar uma pitada de poesia à sua vida, de olhar o mundo com novos olhos, de reler os clássicos, de redescobrir que o sol nasce, que no céu existe a lua e que o tempo não é somente aquele que os relógios marcam. Esta era a minha oportunidade, e não podia deixá-la fugir.”
Tiziano Terzani
Literatura de Viagem: “Disse-me um adivinho”

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