Tétouan — O Segredo do Norte de Marrocos

Feddan Tetouan Norte de Marrocos North of Morocco

De volta à estrada depois de conhecer os encantos azuis de Chefchaouen, para apenas 1h30 de viagem até Tétouan. O nome era-me familiar, mas não tinha nenhuma imagem deste local na cabeça.

Vemos infinitas fotografias de Marraquexe ou até de Fez, mas Tétouan parece ter passado debaixo dos radares estes anos todos.

Tal sossego mediático não se entende. A medina é considerada pela UNESCO como Património da Humanidade, desde 1991, e a proximidade ao Mediterrâneo e até à Europa poderia expor a cidade a mais turismo.

Chego de carrinha à Praça Moulay el Mehdi, mesmo em frente a uma grande igreja que se distingue pela cor amarelo-forte. Confesso que tenho um estranho sentimento quando vejo um templo católico em países que são maioritariamente muçulmanos. É quase como ver algo proibido. Talvez o mesmo sentimento de alguém que vai a Portugal e encontra uma igreja católica a cada esquina e apenas uma ou outra mesquita mais escondida.

Iglesia de Bacturia Tetouan
Iglesia de Bacturia

Mas a Iglesia Nuestra Señora de la Victoria, também conhecida com Iglesia de Bacturia, faz parte da história de Tétouan e marca a passagem dos espanhóis por aquele território. Construída em 1926, durante o Protectorado de Espanha, hoje tem um papel social, servindo como centro cultural ou dando apoio aos imigrantes.

À medida que percorro a grande nave daquela catedral, que tiveram a gentileza de abrir para uma visita, reparo que, apesar das figuras católicas que ali se encontram, alguns detalhes marroquinos também ganharam o seu espaço, lembrando que a religião pode ser de contrastes mas deve ser de união.

A caminho da Medina de Tétouan

Sigo rumo pelas ruas de Tétouan, exteriores à medina — a essa já lá vamos — e quase que podia estar a andar por uma cidade europeia. Os habitantes vestidos com jelaba são raros e está de volta o trânsito do qual não tinha saudades.

Feddan Tetouan
Parque Feddan

Apesar disso, chego ao Parque Feddan e volto à realidade marroquina. A vista é para uma bela encosta desenhada com casinhas branca. Aliás, se houver cor a distinguir Tétouan, essa é mesmo o branco.

Dali são 10 minutos a pé, até à Praça Hassan II e ao Palácio Real. Este é apenas um dos vários palácios que o rei tem nas principais cidades marroquinas.

Palacio Real Tetouan Royal Palace
Palácio Real

Os cordões policiais e barreiras de proteção podiam fazer crer que o governante estaria em casa, mas rapidamente percebi que a estrutura está montada permanentemente.

Com humildade, cheguei à proteção e fiz sinal aos polícias que ali se encontravam, pedindo permissão para fotografar. “Sem problema” acena um com a cabeça, sem a necessidade de ser trocada uma palavra.

Contornando a praça, entro finalmente na medina, através da porta Bab Ruah. A movimentação é grande. É segunda-feira e há negócio a ser feito. As lojas sucedem-se, primeiro as ourivesarias, depois as bancas de roupa. Das facas às panelas, dos ténis aos sapatos de marcas imitadas. Pregões são lançados em árabe. Por ali há de tudo!

Souk Tetouan
Souk de Tétouan

Dos curtumes ao bairro judeu

A medina é enorme e continua a guardar belos segredos. A começar pelos curtumes. Ao contrário da alcaçaria de Fez, o local onde se prepara o couro em Tétouan é muito mais pequeno. Não nos é dada nenhuma folha de hortelã à entrada nem temos vendedores em nosso redor a tentar fazer negócio.

Aqui não há requintes, mas, isso sim, uma noção mais crua do trabalho e podemos até andar pelo meio das tinas de pedra onde são trabalhadas as peles.

Curtume Tetouan Tanneries
Curtumes de Tétouan

Ao invés de Fez, onde achei as peles a um preço mais inflacionado, em Tétouan consegui comprar belas peças a um valor bem mais aceitável… isto depois de negociar, claro. Sempre.

Depois de espreitar os recantos deste grande souk, traço rumo para o Bairro Judeu, última paragem nesta cidade do norte de Marrocos.

Bairro Judeu Tetouan Jewish Quarter
Bairro Judeu de Tétouan

Também conhecido por Mellah, dizem-me que já são poucas as famílias judias que ainda ali habitam. A população alastrou-se a toda a medina, a todos os bairros. Aquela é a casa de todos, independentemente das suas convicções religiosas. Ou, pelo menos, assim parece.

Não consegui ir muito longe dentro do bairro, até por estavam a ser realizadas obras de melhoramento do pavimento. Mas até mesmo entre baldes de argamassa e cimento, o vai-vem continua frenético, principalmente nas ruas mais apertadas.

Espreito para dentro de uma carpintaria e sou logo recebida com um sorriso. O carpinteiro esmera-se na arte, à medida que aceita que lhe tire uma fotografia. Também o velho vendedor lança uma gargalhada com a minha passagem e o dono da banca de frutos secos passa-me com orgulho uma tâmara recheada de noz, com a certeza que é a melhor (e mais barata) que alguma vez vou comer.

A minha viagem pelo norte de Marrocos estava prestes a terminar, mas ainda havia uma última paragem no roteiro: Tânger.

Assim, despeço-me de Tétouan e faço-me à estrada deixando para trás aquela que acredito ser uma das cidades que os viajantes devem ir descobrir numa ida até Marrocos.

Locais a não perder em Tétouan

  • Iglesia de Bacturia
  • Parque Feddan
  • Praça Hassan II e o Palácio Real
  • A zona dos curtumes e as lojas de peles
  • Bairro Judeu
TOME NOTA!
Blanco Riad Tetouan
Almoço / Dormir

Riad Blanco

Bem perto da Praça Hassan II, este riad esconde por detrás das suas portas um bonito espaço, bem descontraído. Escolha almoçar no pátio e peça um dos pratos de cozinha tradicional marroquina, como a tajine de carne ou o couscous de vegetais. Não fiquei lá a dormir, mas o staff é muito simpático e as imagens que vi dos quartos parecem bem agradáveis. Pode ser uma opção.

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E você? Já esteve alguma vez em Tétouan? O que achou da medina, património mundial? Nunca lá esteve, mas gostava de visitar o norte de Marrocos um dia? Partilhe a sua opinião na caixa de comentários.

Conhecer Tétouan
Tetouan-Pinterest-PT
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NOTA EDITORIAL
Viajei a convite do Turismo de Marrocos para conhecer algumas das principais cidades do norte do país. Porém, todas as descrições e opiniões relatadas neste artigo são independentes e resultado da minha experiência.


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